Hello extro & introverts! (Tradução embaixo)

I just finished watching a TED talk by Susan Cain, whose book ‘Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking‘ I’ve read (but not quite finished yet, as it’s a difficult book for me to read). I thought it would be interesting, and maybe more so, important, to highlight to both introverts and extroverts the strengths of introverts, what they go through, and how it influenced my decision to move to Brazil

It caused me existential crises

I grew up at a time when extroversion had already transitioned into the dominant form around me. As such, I’ve grown up with having to be outside of my natural state; the state in which I am able to be at my optimal. During the days, I suffered through an educational system that was so far outside my norms that it caused me existential crises. Along with my already difficult orphanhood and adoption, being surrounded by social ‘standards’ that didn’t match any of my criteria made me completely lose track of reality. I was a bedwetter until I was 11, because I was completely unable to distinguish reality and dreams. I grew a lot of psychological problems from a society that didn’t understand my signals, and eventually I was forced to seek medical help in the form of psychologists. I attended many sessions, and even my parents came under scrutiny. But nothing could be found or fixed. Why? Because I wasn’t broken; rather, society was.

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Up is down.

Can you imagine what I could have done?

Now, many years later and looking back, I regret having yielded to the social dynamics. That is, not valuing your own thoughts as much as that of a collective such. Because I know for fact that society, both from an extroversion and an introversion perspective, stands to gain so much from people who understand and value the art of individual expression. My time at Philips really was an eye-opener, because up until then, I believed I was the only introvert in the whole world. My department was full of introverts, who, despite being introverts, still managed to work together to create amazing products. Suddenly being ‘that weirdo’ was completely normal, and I no longer needed to be afraid of expressing my ideas, no matter how far-fetched. I could work in my own weird way and people would still appreciate it. I could pick up a piece of scrap and turn it into an invention/patent. Those were the sort of things I had never really had the opportunity to do before, because I wasn’t allowed to as it didn’t fit into the system. Can you imagine what I could have done before that if I hadn’t been forced into the square model that society and education had put me into?

Why are people so surprised when you finally break?

Now, what does this have to do with Brazil? Well, remember part 1 of why I’m in Brazil? There, I talked about my social phobia. See where I’m going with this? Indeed, my social phobia arose from the fact that I felt completely rejected from society due to my inabilities to fit in with the criteria. And the fact is, that most things I’ve done in my life have been met with an acknowledgement of ingenuity but nothing more, because I haven’t been loud and boasting and proud (as in, displaying superiority over others). That pretty much means that even though I frequently had better ideas and written work than my peers, I got worse grades because I didn’t talk much during class discussions. If you try and try and try for 20 years and all you get are bad grades and undeserved criticism, then why are people still so surprised when you finally break and start having panic at the very thought of people?

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Lots of bright people are being put out, but the colour of their smoke still echoes.

Brazil became my exeunt

This immense pressure of never being able to please anybody, despite actually performing better than others, is something that pretty much every introvert will recognise. That’s also the very thing that brought me to Brazil. I really needed to get away from the truly unfair things that people and society had put me through. I don’t want to point fingers at anyone specifically, but what I do want to highlight is that fact that you’re much sooner rewarded for being a robot and unoriginal than being original and ‘weird’. In many ways, Brazil then became my exeunt from the times and places I had grown up with. As a matter of fact, for the first time in my life, I’ve begun to understand who I really am and where I come from. I’m not the inside-the-box scholar and the outgoing type; rather, I’m the outside-the-box person and the ingoing type. My (rich?) inner life is more than sufficient to give me the same satisfaction that a lot of people only gain from an outwardly and loud life. I wouldn’t be writing here if it were any different. I wouldn’t have a 250-A4-page ongoing ‘diary’ that I hold secret until I die, either.

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Choose the narrow path, no matter what.

We are much quicker at praising spin-offs, derivatives and copycats

We look back at all the great things that the great philosophers and scientists came up with in the past. From this perspective, we, as a society, have been at a standstill for a very long time now. Personally, I believe it’s because we’ve begun milking the same cow in different ways rather than finding other ways of making money. And I’m sure all this stems from the fact that introverts have very little space in today’s extrovert world, as opposed to in the good ol’ times. We leave very little space for finding originality, and are much quicker at praising spin-offs, derivatives and copycats. But as always, we need a little bit of both. Introverts for the thinking, extroverts for the doing.

Speech is golden, silence is silver,
Why do we play along?
How did thoughts turn second,
When did it go so wrong?

PS. All photos are my own works.



Acabei de assistir um TED Talk pela Susan Cain, cuja livro já li (mas ainda não terminei, pois é um livro difícil pra mim ler). Achei que seria interessante e importante destacar tanto para os introvertidos quanto os extrovertidos a força dos introvertidos, pelo que passam, e como isso influenciou a minha decisão a mudar ao Brasil.

Isso me causou crises existenciais

Fui criado numa era em que extroversão já se tornou a forma dominante no meu redor. Por isso, cresci fora do meu estado natural; o estado em que eu possa estar no meu melhor. Durante os dias, sofri por um sistema eduacional que era tão longe das minhas normas que me causou crises existenciais. Junto com a minha orfandade e adoção difíceis, estar cercado por “padrões” sociais que não se encaixava com nenhuns dos meus critérios, me fez perder completamente a realidade. Eu tinha “enurese de cama” até que tinha 11, pois estava totalmente incapaz de separar sonhos de realidade. Fiquei com tantos problemas psicológicos de uma sociedade que não entendia meus sinais, que, afinal, me obrigaram a procurar ajuda profissional (psicologistas). Participei de muitas sessões, e até os meus pais foram investigados. Mas, nada foi encontrado e nada pude ser resolvido. Por quê? Porque eu não era quebrado, e sim a sociedade.

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Gates to freedom nowhere.

Pode imaginar o que eu poderia ter feito?

Bem, muitos anos depois e olhando para trás, lamento ter cedido às “dinâmicas sociais”. Isto é, não valorizar os seus próprios pensamentos tanto quanto os de um coletivo. Pois, sei de fato que, ambos de um perspectivo extroversão e introversão, fica a ganhar tanto das pessoas que entendam e valorizam a arte de expressão individual. O meu tempo na Philips realmente abriu meus olhos, pois até então, acreditava que eu era o único introvertido no mundo. O meu departamento era lotado de introvertidos, quem, apesar de ser introvertidos, podiam trabalhar juntos para criar produtos ótimos. De repente, ser “aquele esquisitão” se tornou normal, e não mais tive que ter medo de expressar minhas idéias, não importa o quão absurdas. Eu podia trabalhar em jeitos diferentes e as pessoas ainda apreciaram. Eu pôde levantar um pedaço de sucata e torná-lo em uma invenção/patente. Essas coisas eu não mesmo tive a oportunidade para fazer antes, pois nunca antes fui permitido já que não se encaixava no sistema. Pode imaginar o que eu poderia ter feito antes disso se a sociedade e a educação não tinham me forçado num modelo quadrado?

Por que as pessoas ficam supresas quando você finalmente romper?

Beleza, mas o que isso tem a ver com o Brasil? Você lembra da parte 1 do porquê estou no Brasil? Lá, eu falei da minha fobia social. Está ficando mais claro? Com certeza, minha fobia social tem suas origens no fato de que me sentia totalmente rejeitado da sociedade devido às minhas incapacidades de me encaixar nas critérias. As maiorias das coisas que já fiz na vida foram recebidas com reconhecimento, mas fora disso, mais nada, já que nunca era sonoro, ostentoso e orgulhoso (ou seja, exibindo superioridade sobre outros). Isso quer dizer que apesar de eu muitas vezes tinha idéias e trabalhos escritos melhores que meus colegas, eu tinha notas piores por falar pouco nas discussões nas aulas. Se estiver tentando cada vez mais duro por 20 anos e tudo que acontece são notas ruins e crítica imerecida, aí por que as pessoas ficam surpresos quando você finalmente romper e começa a ter pânicos só pensando nelas?

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It’s a blurry mess.

O Brasil tornou-se o meu exeunt

Essa pressão immensa de jamais ser capaz de agradar ninguém, apesar de se comportar melhor que os demais, é algo que todos os introvertidos vão reconhecer. Isso também e o que me trouxe para o Brasil. Precisava muito de me afastar das coisas injustas que as pessoas e a sociedade me fez sofrer. Não quero culpar ninguém em particular, mas o que eu quero destacar é o fato que será recompensado mais rápido por ser um robô e não original ao invés de ser original e “esquisito”. De muitas maneiras, o Brasil se tornou o meu “exeunt” dos tempos e lugares com que cresci. Na verdade, pela primeira vez, já comecei a entender quem sou e de onde venho. Não sou o tipo quem pensa dentro da caixa e olha para fora; do contrário, sou aquele quem pensa fora da caixa e olha para dentro. A minha vida interior já é bastante para me dar a satisfação que muitas pessoas só acham através uma vida social e sonoro. Não escreveria aqui se fosse diferente. Também não teria um “diário” contínuo de 250 páginas A4 que manterei segredo até que morrer.

Somos mais rápidos em relogiar subprodutos, derivados e imitadores

Olhamos para trás nas coisas grandes que os filósofos e cientistas criaram no passado. A partir dessa perspectiva, nós, como sociedade, já estamos parados por muito tempo. Acredito que é porque começamos a preferir ordenhar a mesma vaca em várias maneiras ao invés de tentar encontrar mais jeitos de ganhar dinheiro. Tenho certeza que tudo disso tem seus origens no fato que os introvertidos tem muito pouco espaço no mundo extrovertido de hoje, ao contrário do que era. Nós deixamos muito pouco espaço para originalidade e somos mais rápido em relogiar subprodutos, derivados e imitadores. Mas, como sempre, precisa-se um pouco de tudo. Introvertidos para pensar, extrovertidos para fazer.

PS. Todas as fotos são próprias obras.

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