Hello folks! (em português embaixo)

It’s been three years, and Brazil has been so much more to me than most of you will ever understand. Has it been easy? No. Has it been worth it? Absolutely. Will I ever be able to fully realise what I’ve achieved? Probably not.

What I will admit to, though, is that I thought I knew what humility was, until I moved to Brazil. I never thought I’d have a chance to truly learn what it means to feel small and oftentimes helpless, and this is coming from somebody who was an orphan the first three years of his life. You see, Brazil was a choice, and I knew fully well that it would bring me back to square one, but I never expected it to be that square one. I thought I’d rip apart the old and make something new, but instead, it became a rewinding of my own tapes. It became something of a second chance at trying again, but now with a million experiences and tricks to fight my way through the overwhelming feeling of littleness. I was given the chance to rewrite a part of my life that had previously defined me.

I still remember the very first thing I wrote after having left Holland. The passage was written during my very first flight to Brazil, when I had my first “oh sh*t” moment at what I had gotten myself into. Consequently, that was also a “not again” moment, when I, once again, seemed to be heading for a fate I wasn’t sure I’d get out of alive. It’s so fascinating to look back at that moment, and then reflect on it in fact being an echo of painful memories and vivid feelings from my pre-adoption era.

Now, Brazil has been a blessing in so many ways, because I’ve learned so many things that I previously took for granted. Being the most far away I’ve ever been from my home, and starting without any means of actually making my needs understood, I’ve come to appreciate the fact that many people are unable to do this even in their own language. In a country fraught with political tension, corruption and massive inequality, I feel for them. They may not be my people, but having lived here not being able to easily understand or be understood, I feel that I’ve gotten a glimpse of what it means to be small.

Of course modernities can be found even in these parts of the world, but they’re expensive and barely even for middle class citizen. Things I’ve come to take for granted, like internet, water and electricity, is not guaranteed, and this is something else that’s changed my attitude towards life. While I may have studied computer science, my time here has been an exercise in patience, creativity and acceptance, because when you simply don’t have access to water or the Internet, you just don’t have it. No point feeling sorry for yourself. Find something else to do. Like reflecting on the wonders around you.

Would I do this again? Absolutely. Would I make somebody else do this? Abso-bloody-lutely. Because I think everybody could stand to get out of their comfort zones, understand what it’s like to be an adult while looking at the world with an infant’s eyes, and learn that life’s so much more than climbing to that tiny peak, when the real hidden treasures are in the depths of valleys.

Map home
Around 30 hours all in all to get home. First bus from Belo Horizonte to Rio, then flight to Amsterdam and Helsinki.


Olá galera!

Já passaram três anos e o Brasil significa muito mais para mim do que a maioria de vocês jamais entenderão. Foi fácil? Não. Valeu a pena? Com certeza. Serei capaz de perceber o que consegui mesmo? Provavelmente não.

Embora, vou admitir que achava que sabia o que era ser humilde, até que mudei ao Brasil. Nunca pensei que eu teria uma oportunidade de realmente aprender o que quer dizer se sentir pequenininho e, muitas vezes, desamparado, e digo isso como alguém que era órfão até tinha três anos. Digo, o Brasil era uma escolha e eu sabia, com certeza, que voltarei à estaca zero, mais eu nunca imaginei que fosse aquela estaca zero. Pensei que ia derrubar o velho e começar de novo, mas em vez disso, tornou-se um ‘rebobinamento’ das minhas gravações. Virou uma espécie de segunda chance de tentar de novo, mas agora com inúmeras experiências e toques para ajudar na luta contra os sentidos insuportáveis de ser minúsculo. Recebi a chance de reescrever uma parte da vida que tinha me definida até então.

Ainda me lembro a primeira coisa que escrevi depois de sair da Holanda. O texto foi escrito durante a minha primeira viajem ao Brasil no momento que tive o primeiro “PQP” sobre o que eu tinha começado mesmo. Assim, isso também se tornou um momento de “de novo não”, no que eu novamente ia enfrentar um destino em que não tinha certeza se ia sobreviver. É muito fascinante olhar para trás neste momento e contemplar o fato que era, na verdade, um eco das memórias dolorosas e sentimentos intensos da era antes a adoção.

Enfim, o Brasil já foi uma bênção em muitos aspectos, pois já aprendi tantas coisas que anteriormente tomei por garantidas. Já que estive o mais longe da casa que nunca e começar sem como fazer-se entender as minhas necessidades, virei a reconhecer que há tantas pessoas que estão incapaz de fazer isso, mesmo na sua própria língua. Num país cheio de tensão política, corrupção e grande desigualdade, eu compartilho da sua dor. Talvez não seja o meu povo, mas depois começar uma vida nova aqui sem estar capaz de se fazer entender ou estar entendido, creio que já vi um vislumbre do que quer dizer se sentir incapaz.

Claro, modernidades existem também nessa parte do mundo, mas é bem caro e até mesmo a classe média tem dificuldades a aproveitar da tecnologia. As coisas que tomei por garantidas, tais como a Internet, água e luz, não são garantidos e isso é uma coisa que também mudei a minha atitude em relação à vida. Posso, por conseguinte, ter estudado ciência da computação, mas o tempo aqui tem sido um exercísio de paciência, criatividade e aceitação, pois na hora que simplesmente falta a água ou accesso à Internet, é só aceitar. Não adianta ter piade de si mesmo. Pense em algo a fazer, tal como refletir nas maravilhas ao redor.

Será que faria isso de novo? Com certeza. Incentivaria alguém a fazer isso? Com toda a certeza. Pois, eu creio que todo mundo tem algo a ganhar em sair da zona do conforto, para entender o que é ser adulto mas olhar o mundo pelos olhos de uma criança, e aprender que a vida esteja bem mais que alcançar os picos pequenininhos, enquanto os tesouros verdadeiros existem nas profundezas nos vales.

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